Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010
Posição do BE na imprensa algarvia
BE toma posição sobre PUCE
Declaração sobre a Elaboração do Plano de Urbanização de Caliços-Esteval
A Câmara Municipal de Loulé deliberou determinar a elaboração de um Plano de Urbanização, numa área de 355 hectares, entre as localidades de Caliços-Esteval (PUCE), tendo publicado um aviso em diário da república de 1 de setembro passado. Nesse aviso é ainda determinado a elaboração da Avaliação Estratégica Ambiental, são definidos os termos de referência, aprovada a minuta de contrato a celebrar com o grupo IKEA, entre outros pontos.
Relativamente a esta questão o Bloco de Esquerda tem a manifestar o seguinte:
- Ao contrário do que se refere no Aviso, a deliberação de mandar elaborar o Plano de Urbanização Caliços-Esteval não corresponde a qualquer opção estratégica de planeamento e ordenamento do território, pois aparece desgarrada de qualquer linha de orientação política ou económica para o concelho de Loulé, numa altura em que decorrem ainda os trabalhos preparatórios da revisão do Plano Director Municipal.
- Ao contrário do que se afirma no mesmo aviso, não se respeita o parecer emitido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, de 17 de maio passado, no qual se defendia uma estratégia sustentável baseada numa análise segura dos custos e benefícios de qualquer proposta de localização empresarial, bem como a reponderação de áreas a urbanizar, no âmbito da revisão do PDM, em particular no Plano de Urbanização da cidade de Loulé, com vista a futuros usos empresariais.
- Os argumentos aduzidos pela Câmara Municipal, para justificar a elaboração extemporânea deste plano, são muito frágeis, apesar de se esconderem por detrás de propostas de planeamento integrado, relativo aos instrumentos de planeamento a decorrer na área, ou de articulação económica entre os investimentos previstos.
- Na verdade, o que se esconde por detrás da deliberação de execução do PUCE é tão somente a tentativa de disponibilizar terrenos urbanizáveis, numa área que integra os interesses do Grupo Empresarial IKEA, o qual já tinha adquirido cerca de 40 hectares com vista a instalar um empreendimento comercial, com loja, centro comercial e retail park.
- Como o Bloco já denunciara em momentos anteriores, este plano é a prova da submissão do poder político ao poder económico, a demonstração da total ausência de soberania e de autonomia política do poder local, na garantia de estratégias de desenvolvimento sustentável para o concelho, do ponto de vista ecológico, social ou económico.
- O Bloco de Esquerda vem, assim, reafirmar as condições já apresentadas, em 19 de março deste ano, que devem constituir os critérios objectivos e subjectivos fundamentais, para a concretização de qualquer grande investimento no concelho de Loulé:
i) O respeito pelo planeamento do território e seu enquadramento com os instrumentos eficazes em vigor, designadamente através da revisão do PDM, o qual deve considerar a defesa de estratégias sustentáveis de desenvolvimento económico para o concelho. Deve respeitar ainda o Plano de Urbanização de Loulé, cujos objectivos apontam para o alargamento significativo do actual perímetro urbano, construção de infra-estruturas e equipamentos, que conduzam ao “reforço/melhoria das ligações de Loulé a novos pólos de desenvolvimento (parque das cidades) …”; a “Consolidação/expansão da área empresarial com o Aeródromo…” e também, potenciem a “Articulação com o futuro Aeródromo de Loulé”.
ii) A necessidade de estudo dos impactes ambientais que os grandes empreendimentos vão inevitavelmente provocar, com a alteração do uso do solo ao nível da RAN ou REN, impondo regras exigentes no âmbito do projecto, de modo a desafectar a área mínima estritamente necessária, com o mínimo de impermeabilização do solo.
iii) Ter em consideração o aumento substancial do tráfego rodoviário que irá ser gerado, obrigando necessariamente à criação de novas acessibilidades ou melhoramento das existentes que garantam a fluidez do trânsito.
iv) Analisar o volume dos investimentos anunciados, assim como o número dos postos de trabalho que irão ser criados, contrariando a precarização do trabalho.
v) Garantir o estabelecimento de protocolos com o Instituto de Emprego e Formação Profissional, para que o recrutamento do pessoal seja efectuado preferencialmente a partir dos desempregados inscritos no Centro de Emprego de Loulé, privilegiando o emprego feminino, de jovens licenciados à procura do 1º emprego, e de pessoas portadoras de limitação.
vi) Estabelecimento de acordos de cooperação com o comércio local e com as micro, pequenas e médias empresas locais, criando condições para o escoamento de produtos ou prestação de serviços.
vii) Que a construção destes investimentos contribua para a recuperação de zonas industriais abandonadas ou degradadas, assim como para a regeneração de zonas já consolidadas e potencie a realização de projectos municipais estruturantes: aeródromo, ligação da rotunda Pereiras/Vale do Lobo e das 2 Sentinelas/rotunda da BP Quarteira.
viii) Que os projectos sejam elaborados tendo em conta a poupança de energia, a utilização de energias renováveis, a micro geração, a reciclagem e a redução da emissão de resíduos.
ix) Que contribua para a promoção do uso dos transportes públicos, especialmente entre os centros urbanos e a ligação ao transporte ferroviário.
x) Que o investimento privado patrocine a criação de respostas de responsabilidade social, nomeadamente a construção de creches e equipamentos de apoio à juventude, apoiando ainda as associações de solidariedade social no concelho.
xi) Que a efectivação do projecto contribua para aliviar a pressão urbanística que se verifica actualmente no litoral, favorecendo a articulação litoral/interior, criando condições para a fixação de pessoas e empresas a norte da EN 125.
- Sem a ponderação dos critérios acima enunciados, o Bloco de Esquerda considerará sempre que se está perante uma tentativa de impor a chantagem de interesses económicos atentatórios do desenvolvimento social e económico do concelho de Loulé.
20 setembro 2010
Comissão Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda
Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010
Propostas de recomendação na AML
Proposta de Recomendação
Na sequência da atribuição a Portugal do Europeu de Futebol 2004, “as autarquias Faro e Loulé, criaram em 2000, a Associação de Municípios Loulé/Faro – AMLF, com o objecto social de planear, elaborar projectos, financiamento, execução, gestão e manutenção dos equipamentos e espaços públicos do denominado Parque das Cidades. Decidiram então, criar uma estrutura operacional – a Empresa Intermunicipal, Sociedade Parque das Cidades, cujo capital é detido integralmente pela AMLF.”
Reconhecemos que o estádio tem uma componente regional ou nacional, mas os custos são demasiados elevados para as 2 autarquias, pois representam um encargo financeiro anual de 3 M€, acrescidos dos custos de manutenção e pessoal, e também não podemos ignorar os terrenos disponibilizados gratuitamente ao estado para a construção de equipamentos públicos: laboratório de análises (ARS) e futuro hospital regional.
Volvidos seis anos após a realização do EURO 2004, importa fazer um balanço da actividade desenvolvida por esta Empresa e reflectir sobre qual o modelo de gestão mais adequada para o Parque das Cidades, tendo em conta o momento presente e qual o destino dos trabalhadores que pertencem ao seu quadro de pessoal.
O Bloco de Esquerda requereu em 21/12/09, à Câmara e no âmbito das competências da Assembleia Municipal (AM), para que fossem presentes aos Deputados Municipais os documentos de prestação de contas e relatório da sua actividade referente a 2008 e orçamentos para 2009 e 2010.
Apesar de repetidas vezes solicitada esta é a 1ª vez que a informação é facultada à AM. Analisando os documentos de gestão, salientamos: no exercício de 2009 os custos de exploração totalizaram 962.228€, sendo 60,9 % (585.559 €) para despesas com pessoal e que no Orçamento para 2010: “Os custos estimados, serão 674.202 €, sendo 606.804 € (90%) para despesas com pessoal”.
Na realidade temos uma empresa com custos elevados de funcionamento; um estádio de futebol com capacidade para 30 000 lugares, mas cuja assistência média por jogo não vai além dos 200 espectadores, como tal, não gerador de receitas; e uma estrutura de pessoal a elaborar projectos para o exterior como forma de justificar a sua sobrevivência. A opinião pública divide-se quanto ao destino a dar à sociedade e mais concretamente ao estádio de futebol.
Perante estes factos e tamanhas evidências, não vislumbramos razões que justifiquem a manutenção desta empresa. Assim propomos que a solução deverá passar por:
a) Extinção da Sociedade Parque das Cidades, sendo os objectivos da empresa assegurados pela Associação de Municípios Loulé/Faro – AMLF;
b) Criação de um modelo de gestão aligeirada a incorporar na AMLF;
c) Integração dos funcionários do quadro de pessoal nos 2 Municípios, sendo um número reduzido integrado no novo modelo de gestão;
d) Promoção de um estudo tendo em vista a concessão do estádio a uma empresa especialista em eventos desportivos, culturais ou outros.
Assembleia Municipal de Loulé, 24/9/10
(Carlos José da Silva Martins)
[Aprovada por unanimidade]
*
PROPOSTA DE RECOMENDAÇÃO
Considerando que:
1. As Empresas Municipais (EMs) InfraLobo, InfraMoura e InfraQuinta, resultantes de uma parceria pública/privada, cujo capital social é detido 51% pela Câmara e 49% pelos privados, com o mesmo objecto social, áreas de intervenção separadas geograficamente por escassos kms e administrações autónomas, recursos humanos, equipamentos, meios logísticos e contabilidade independentes.
2. Do orçamento municipal têm sido transferidas avultadas verbas para as EMs, nomeadamente através de contratos-programas, para pagamentos de despesas correntes e de capital (investimentos) que não estão claramente descriminados nas suas respectivas contas.
3. As “infras” desenvolveram um volume total de negócios em 2009 que ascendeu aos 14 M€, tendo ao seu serviço um total de 271 trabalhadores.
4. Concluímos que se torna por demais evidente a necessidade da racionalização de custos, da optimização dos meios humanos e logísticos, e da adequação à situação económica do país e do concelho, e assim o Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia Municipal recomende ao executivo municipal:
a) A reestruturação destas Empresas, tendo como objectivo a preparação para a sua extinção e posterior criação de uma única empresa municipal.
Assembleia Municipal de Loulé, 24/09/10
Grupo Municipal do Bloco de Esquerda
(Carlos José da Silva Martins)
[Rejeitada com votos contra do PSD/CDS e favoráveis do BE/PS]
Quarta-feira, 8 de Setembro de 2010
Quinta da Ombria em questão
Em resposta ao BE, o Governo afirma que o projecto em causa não é PIN (Projecto de Interesse Nacional), mas foi alvo de Avaliação de Impacte Ambiental, tendo sido objecto de Declaração de Impacte Ambiental favorável com condicionantes. Para Vieira da Silva, o «golfe é um dos produtos turísticos (…) que deve continuar a ser potenciado no Algarve».
A aposta continua a ser o turismo para as elites: «Considera-se que o golfe da Quinta da Ombria se enquadra na estratégia de desenvolvimento turístico da região do Algarve, contribuindo para atenuar a sazonalidade e aumentar a qualidade do emprego, com reflexos positivos na consolidação do Algarve como destino internacional de golfe, na atracção de segmentos de mercado com elevado rendimento e no prolongamento da estadia média do turismo na região.»
As perguntas do BE ao Ministério da Economia, bem como a resposta deste podem ser lidas aqui.
Mais informação sobre o processo pode ser consultada no nosso blog: aqui.
